Atendimento em grupo com idosos com demências

Beatriz Leite Machado

Psicóloga

 

Atualmente as demências são as doenças neurodegenerativas mais impactantes na população acima de 65 anos (AZEVEDO et al, 2010). A doença de Alzheimer é um tipo de demência, e representa 60% dos casos (DIAS et al, 2013; AZEVEDO et al, 2010; BORGHI et al, 2011). A perda progressiva de memória é o sintoma mais conhecido da Doença de Alzheimer e outros quadros de demência. Com frequência, os primeiros sinais de algum problema cognitivo são confundidos com perdas naturais do envelhecimento. Por isso, é comum que o diagnóstico seja feito quando a doença já está em nível moderado ou avançado (LADEIRA et al, 2009).

A velhice é com frequência vista como um momento de reclusão e isolamento, em que se torna mais difícil vincular-se. No entanto, o convívio e interação social é tão importante quanto em qualquer outra fase da vida. Atividades em grupo, com objetivos terapêuticos e adequados ao contexto do grupo podem promover impactos positivos tanto no âmbito social quanto no individual.

Para o idoso com algum tipo de demência e sintomas de agitação, desorientação ou até apatia, muitas vezes, pode parecer que não se afeta ou beneficia-se do grupo por apresentar pouca reação e pouca memória do que é trabalhado. No entanto, o simples estar em grupo e realizar uma atividade, ainda que necessite de auxilio e estimulo para começar e finalizar, permite que o idoso se sinta pertencente e capaz.

É interessante pensar em quão importantes são nossos contatos, com familiares, com amigos, no trabalho e em momentos de lazer. Por que isto mudaria com a idade? Se muda deve haver um motivo, geralmente associado a algum conflito, mas não necessariamente à idade. Em casos de dificuldades cognitivas, como nas demências, o afastamento social pode parecer como única alternativa frente as mudanças que afetam não só o idoso, como os familiares e pessoas próximas.

O Centro-dia é uma opção de cuidado e promoção de saúde para idosos, que leva em consideração a dimensão social do envelhecer. A proposta de ser um espaço seguro, de criatividade, produtividade e interação, sem retirar o indivíduo de seu contexto original favorece a manutenção de vínculos afetivos prévios, que fazem parte da história de cada um, e a criação de novos, que impactam na autoestima.

Atividade de psicologia

As atividades propostas e realizadas pela Psicologia no Centro-dia buscam incentivar a interação social e estimular cognitivamente os idosos de acordo com as necessidades de cada um. Idosos com quadros de demência, Alzheimer e outras questões cognitivas, exigem manejo frequente dos sintomas (repetições, de frases e assuntos e movimentos, agitação associada a desorientação espacial e temporal etc) para manterem-se e engajarem-se em grupo. Não é uma tarefa fácil, mas necessária.

Atividade de psicologia

Nesse contexto, o trabalho em grupo é desafiador e muito potente. O grupo cria, através de uma temática proposta, um espaço para a interação, gerando momentos de maior descontração que favorecem os vínculos e incentivam a expansão. E, ao mesmo tempo, momentos de reflexão e troca, menos agitados, e até de contenção, no sentido de evitar que alguém do grupo se exalte e também de acolher alguma angústia que pode surgir. A forma como o grupo afeta cada um pode ser diferente, mas nunca é indiferente.

As memórias que temos mais vivas são aquelas de sensações e experiências, um bolo que sua mãe fez saindo do forno, um dia de chuva que você perdeu a hora… e não o acontecimento concreto em si, a receita do bolo e o horário da chuva ou do ônibus que você perdeu. O que mais nos marca é o afeto, e isso não muda em nenhuma idade.

 

Referências

AZEVEDO, P. G. de et al. Linguagem e memória na doença de Alzheimer em fase moderada. Rev. CEFAC, São Paulo, v. 12, n. 3, p. 393-399, Junho 2010.

BORGHI, A. C. et al. Qualidade de vida de idosos com doença de Alzheimer e de seus cuidadores. Rev. Gaúcha Enferma, Porto Alegre, v. 32, n. 4, p. 751-758, Dezembro.  2011 .

LADEIRA, R. B. et al. Combining cognitive screening tests for the evaluation of mild cognitive impairment in the elderly. CLINICS; 64 (10): 967-73, 2009.

 

Jogos + Idosos = capacidade de interagir e habilidades cognitivas aumentadas

Ana Nakamura

A partir de algumas imagens podemos observar  momentos de sociabilidade que os jogos tem produzido em tantas velhices, presenciadas nestes enriquecedores três anos (e contando) nos centros-dia em centenas de partidas. Apreciaria que muitos verificassem, não por exibicionismo ou divulgação de jogos ou serviços, mas para que outras pessoas pudessem enxergar as potencialidades de seus (e também nossos) idosos, percebendo que há finitude no caminho sim, mas que enquanto ela não chega de fato, existe vida ali dentro, onde cabe muito respeito e cuidado (e jogos!).

Interação dos idosos com os jogos

No entanto, descrevo aqui uma fração dos “resultados da equação”, que intitula este não tão breve texto. O título denota, de algum modo, minha formação em Exatas, e que hoje, de modo absolutamente compensador, mistura-se com a área de Humanas.

Aproveito, ainda neste texto, para contar também sobre a imensa e essencial contribuição dos profissionais envolvidos neste jogo, cujo objetivo é proporcionar momentos lúdicos aos idosos, para que estes, se assim desejarem, divirtam-se com os jogos, tendo como bônus adicional mais interações sociais, e desenvolvimento de habilidades físicas e mentais.

Embora os jogos possam ser jogados individualmente, a presença de outras pessoas traz animação ao momento do jogo, proporciona ainda a troca de conhecimento, a empatia e auto-descobertas do jogador.

Momento de jogar!

Quando um idoso inicia-se no jogo, este tem a possibilidade de descobrir-se capaz, pode encontrar potencialidades esquecidas e ou enfraquecidas pelos tantos caminhos e obstáculos já ultrapassados. Este jogador pode ainda encontrar dificuldades, esbarrar em limites (que às vezes são suposições temporárias), e querer (ou não) superar um desafio. Seja qual for a escolha, continuamos todos juntos no jogo e aceitamos novos jogadores, de qualquer idade!

Quem ajuda nestas interações, descobertas e superações são os profissionais e gestores, próximos aos usuários dos serviços para os idosos, como os centros-dia. Por vezes, são pessoas com uma visão ampliada, de cuidado sincero, que acreditam realmente na capacidade dos idosos; que respeitam e compreendem os avanços, estagnações e declínios de cada idoso, diferente em suas várias velhices. São Profissionais queridos, que não desistem no primeiro declínio, e nem no último; que persistem e acreditam, da primeira à última jogada, que comemoram com os idosos, a cada pequena ou grande conquista.

Recentemente recebemos um grupo de estudantes universitários no centro-dia para idosos (CDI), que vieram conhecer os idosos com o objetivo de desenvolver um game para celular ou tablet. A maior parte dos idosos do CDI está bastante acostumada a jogar uma série de jogos, sejam os jogos digitais ou os não digitais.

Interação dos estudantes com os idoso

A interação dos idosos com este novo grupo, por meio dos jogos, aconteceu de modo muito fácil. Os idosos mostraram-se confortáveis com as novas pessoas e relações a tecer, afinal eles conheciam todos os jogos, estavam empoderados com as informações retidas e aprendidas, estavam então aptos a ensinar aos novos jogadores como jogar, pois sabiam as regras básicas dos jogos.

Muitos destes jogadores idosos, mesmo quando me relatam não saber tal jogo, após alguns minutos de partida, retomam as informações de semanas ou meses, e logo começam a jogar com muita naturalidade e destreza. É um fato recorrente, independente do dispositivo: videogame, tablet, e jogos “de mesa” (os jogos não digitais).  Por exemplo: a movimentação correta que os nossos jogadores mais experientes fazem nos jogos com o videogame Wii, nem sempre acontece na primeira jogada, mas a partir da segunda ou terceira, há um rearranjo do corpo, em que mente e movimento produzem a jogada certa.

Outro exemplo: um dos jogadores, com a memória mais preservada, mas que demonstrava sempre muita reserva, dificuldade em tomadas de decisão, e difícil elaboração de discurso, foi se apropriando (com apoio) de papéis em que precisava tomar decisões nos jogos, escolhas simples, mas executadas, em seu ritmo e em cada partida semanal.

Este idoso foi nomeado o juiz da partida (com direito a apito!), validando as respostas dos demais; tornou-se banqueiro no jogo, administrando o dinheiro, fazendo contas e fornecendo os cartões das propriedades vendidas no jogo. É o idoso que em determinado jogo, sabe as regras, e consegue então elaborar um discurso para argumentar o motivo da estratégia e então passar “a dica” do jogo, ensinando o que aprendeu para um grupo de estudantes.

E assim tornou-se o grande Consultor do jogo, ajudando os universitários a resolver o difícil desafio proposto. Sua consultoria nos rendia, e lhe rendia enormes sorrisos, além de muita satisfação. Havia neste jogador uma parte muito capaz dele, que estava ali, encolhida e apagada, mas que foi ressignificada e hoje este idoso entra diferente, num jogo que certamente já venceu!

 

BENEFÍCIOS DA SOJA

Denize Matsue Taquista -Técnica em nutrição da Empresa Nutrico

                             CRT 116.350

Já bem famosa entre os adeptos de dietas e conhecida pelo seu papel no climatério e menopausa, a soja também ganhou o coração da terceira idade.

Com a inclusão da soja no cardápio dos idosos, há uma melhora do perfil lipídico, e a redução do Colesterol LDL (quando LDL está alto, aumenta-se o risco de doenças cardiovasculares, como angina, infarto ou AVC) isso foi constatado em vários estudos.

Ele contribui com o suprimento proteico de qualidade, crucial nesta faixa-etária, auxiliando na prevenção da sarcopenia, melhorando as funções cognitivas, diminuição de radicais livres, além da melhora no sistema imunológico.

Por ser rica em gorduras poli-insaturadas, vitaminas E e do complexo B, Betacarotenos, ácido fólico e minerais, a soja é ótima para complementar um cardápio, e pode ser consumida em combinação com diversos alimentos, como:

*Leite de soja com frutas e mel;

*Queijo de soja (TOFU) em sopas, em saladas e patês;

*Farinha de soja para bolos e pães;

*Grão que também é apreciado e muito nutritivo (EDAMAME).

É importante salientar que como a maioria dos alimentos, se consumidos excessivamente, podem acarretar algum efeito negativo na saúde, porem se incluídos em uma dieta balanceada ela é de grande valia em qualquer idade.

Oficina de Culinária

Por esse motivo em nossa aula de culinária no mês de setembro de 2018 será o Patê de Tofu com azeitonas:

Ingredientes

*150 gramas de tofu

*2 colheres de sopa de gergelim

*½ xícara de chá de azeitonas sem caroço a gosto (cuidado com a quantidade de sal)

Modo de Preparo

Bater tudo no liquidificador

O IDOSO E A NUTRIÇÃO

Denize Matsue Taquista -Técnica em nutrição da Empresa Nutrico

                             CRT 116.350

“Desnutrição é todo desvio da nutrição normal, tanto para menos, subnutrição, como para excesso, hipernutrição”

No idoso, o risco da subnutrição é motivo de grande preocupação, uma vez que, diversos fatores facilitam seu aparecimento nesta população: a depressão, o uso excessivo de fármacos, problemas odontológicos, doenças que afetam diretamente a aceitação alimentar bem como o metabolismo e fatores socioeconômicos em geral.

Os idosos não sentem o sabor da mesma forma como os adultos jovens e, por isso, podem se alimentar com menos frequência e qualidade.

Pois nessa fase, olfato e paladar ficam progressivamente comprometidos. É comum o idoso se desinteressar por doces e salgados. A produção de saliva também é reduzida e aparecem as dificuldades no processo de mastigação e deglutição, que causam impacto significativo na quantidade e qualidade da ingestão do alimento.

Existem casos concretos de idosos que pulam pelo menos uma refeição por dia e outros que não chegam a ingerir 1000 calorias numa mesma refeição, que é insuficiente para mante uma boa nutrição.

Deve-se, portanto, ficar de olho no prato e na perda de peso do idoso, independentemente do tipo de comida, as refeições devem ser feitas sempre com outras pessoas, preferencialmente, com quem reside na mesma residência, para que ele não se sinta excluído ou atrapalhando a rotina dos demais.

Estabelecendo um horário regular para essas refeições, auxilia a fornecer maior apetite, como também energia e nutrientes.

A refeição precisa ser prazerosa, diversificar as preparações é fundamental para estimular os sentidos (olfato e paladar) e visualmente o prato deve ser colorido para melhorar a aceitação

Oficina de culinária Centro-dia do idoso                                     Angels4u

Um exemplo bom de vegetal rico em nutrientes é a Cenoura, pois é muito versátil, com a possibilidade de ser consumida crua, cozida, em sopas, saladas, sucos, lanches naturais e inclusive em doces, tornando-se um aliado importante para a boa saúde.

 

 

Ela possui fibras e magnésio que auxiliam na redução do colesterol e na limpeza do colón, além da vitamina A e C para uma boa visão. E um recente estudo descobriu que comer uma pequena porção de cenoura todos os dias, reduz em até 60% o risco de doenças cardíacas.

Tivemos em 25/06/2018 uma aula de culinária no Centro-dia Angels4U demonstrando uma boa alternativa de consumo desse vegetal, em forma de Bolo de Caneca, onde os idosos puderam verificar a facilidade do preparo e o sabor da preparação.

Oficina de culinária: Bolo de caneca

 

A violência contra a pessoa idosa: Um fenômeno não tão novo assim…

Fernanda M. F. Augusto – Assistente Social

Desde 2006 a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Rede Internacional de Prevenção à Violência à Pessoa Idosa (INPEA) instituíram o dia 15 de junho sendo o “Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa”, e a partir daí profissionais e serviços voltados ao atendimento dessa população, manifestam-se por meio de palestras e cartazes as formas de violência e quais os canais para denunciar. Partindo do pressuposto de que “consciência, cada um tem a sua” podemos somente educar a população sobre as maneiras violentas das relações e criar uma nova proposta de lidar com o outro diferente de mim ou que depende de mim, sem que seja um peso, incômodo ou ainda um confronto. O idoso em algumas sociedades é tido como inválido, incapaz, em outras, como líder, oráculo, e, nessa diferença são construídos olhares a respeito do que seria propriamente um ato violento, assim, o vínculo estabelecido entre quem as compõe também define o modo pelo qual posso ser agressor e vítima.

“É dever de todos prevenir a ameaça ou violação dos direitos do idoso” – Estatuto do Idoso

A violência contra o idoso é entendida como “um ato (único ou repetido) ou omissão que lhe cause dano ou aflição e que se produz em qualquer relação na qual exista expectativa de confiança”, sendo assim, o mau-trato é tido como um problema social que impede a vítima o acesso aos seus direitos, entre os quais de uma vida com qualidade e digna, quando é acometida por abusos psicológicos, físicos, sexuais, financeiros ou ainda pela ausência de cuidados. Quantos e quantos casos assistimos, lemos em canais de comunicação que expõem as piores situações de negligência a essa população. E o que fazer? Calar e resignar-se acaba sendo a mais rápida estratégia de saída para incômodo causado, afinal, se não sou uma vítima em potencial (enquanto idoso) poderei sê-la (enquanto adulto jovem)…

Paulinho da Viola, quando canta “meu pai sempre me dizia: meu filho tome cuidado, quando lembro do futuro, não esqueço o meu passado”, poetiza o encontro de gerações e tantos conflitos vividos e o que há por vir, sendo um futuro bom ou não, é importante a compreensão do quanto é importante o respeito entre as gerações, as pessoas e o principal, entre as histórias de vida. Certamente, tantos casos de abandono de idosos em instituições de longa permanência não são justificados, mas, servem de alarde a tantas discussões que se fazem acerca de como enfrentar os maus-tratos, que são cada vez mais reforçados pela ausência de programas e serviços que atendam de maneira rápida, eficaz e respeitosa às vítimas.

Em Abril / 2018 foi divulgado pelo site Agência Brasil[1],que no último ano o Disque 100 um dos meios mais utilizados para denunciar casos de violação de direitos humanos no país, registrou, “33.133 denúncias e 68.870 violações. Nas denúncias de violações, 76,84% envolvem negligência, 56,47%, violência psicológica, e 42,82%, abuso financeiro e econômico. A maior parte dos casos, 76,3%, ocorre na casa da própria vítima.”.

Dessa forma, atentar-se para de que maneira se dão as relações conflituosas antes mesmo de qualquer denúncia é fundamental, para isso, busque por orientação dos profissionais nos Centros de Referência Especializados de Assistência Social – CREAS, mais próximos da região, que trabalham com situações de violência, e certamente, qualquer posterior atitude será realizada de maneira mais cautelosa e cuidadosa.

[1] Disponível em: <http://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2018-04/disque-100-registra-142-mil-denuncias-de-violacoes-em-2017>  . Acesso em: 14 Jun.2018.