O Cuidador Formal de Idosos com Alzheimer: O Necessitante Oculto de Cuidados

RESUMO

Com o aumento da expectativa de vida da população brasileira, segundo as projeções estatísticas da Organização Mundial de Saúde, o Brasil deverá ser o sexto país do mundo em contingente de idosos até o ano 2025. No momento, constata-se, devido a este aumento da população, um número maior de idosos portadores de Alzheimer. A Doença de Alzheimer (DA) é definida como diminuição progressiva do sistema cognitivo, sensorial e motor, causando prejuízos nas atividades do cotidiano deste idoso, fazendo-se necessário que este idoso seja assistido, cuidado por outra pessoa, que na maioria dos casos, esta assistência é realizada pelo cuidador informal. O cuidador formal é o indivíduo que recebe treinamento para a realização de cuidados simples, não sendo reconhecida ainda como profissão no Brasil.
Este trabalho tem como objetivo analisar as dificuldades encontradas e principais impactos sofridos pelos cuidadores de idosos portadores de Doença de Alzheimer (DA).

INTRODUÇÃO

Este estudo objetiva verificar o desafio dos cuidadores formais no atendimento a idosos portadores de Doença de Alzheimer (DA) atendidos em suas residências no município de São Paulo/SP.

A prevenção de doenças, o saneamento básico, melhores condições de vida, avanços tecnológicos da medicina, o aumento do acesso a rede pública, dentre outros, foram fatores determinantes para aumentar a expectativa de vida da população brasileira, mas, associado a este aumento, temos também significativo  acréscimo de doenças crônico-degenerativas que são as principais causas de incapacidade e perda de autonomia em idosos.

Conforme (Harman,1996), a doença de Alzheimer (DA), caracterizada pelo neuropatologista alemão Alois Alzheimer em 1907, é uma afecção neurodegenerativa progressiva e irreversível de aparecimento insidioso, que acarreta perda da memória e diversos distúrbios cognitivos. Em geral, a DA de acometimento tardio, com maior incidência por volta dos 60 anos de idade, ocorre de forma esporádica, enquanto que a DA de acometimento precoce, com maior incidência por volta dos 40 anos, mostra recorrência familiar.

O Alzheimer gera grande impacto na vida dos idosos e seus familiares, muitas vezes não sendo compreendidos, consequentemente tratados de forma inadequada, fazendo com que este indivíduo sofra preconceitos e seja excluído das trocas sociais e familiares, muitas vezes pela falta de conhecimento da patologia por parte da família. Este diagnóstico é feito normalmente quando a doença já se encontra em estágios avançados, pois muitos acreditam que as alterações iniciais do Alzheimer fazem parte do processo de envelhecimento e são consideradas normais. Todas estas barreiras interferem na qualidade de vida dos portadores de Alzheimer.

Bottino (2006, p. 89) ressalta que a prevalência da demência dobra a cada cinco anos a partir dos 60 anos. Após os 64 anos de idade a prevalência é de cerca de 5 a 10%, elevando para 30% aqueles com 85 anos. Um estudo realizado com a população idosa em uma comunidade demonstra que a prevalência da demência chega a 38,9% em indivíduos com idades superior a 84 anos.

O cuidador formal é o indivíduo que passa por um programa de capacitação para desenvolver principais atividades inerentes aos cuidados dos idosos. Por não ser reconhecida como uma profissão, apenas como ocupação, a estes cursos ainda não regulamentados não é estipulada carga horária mínima nem mesmo conteúdo programático; cabe ao docente e à instituição nortear a formação deste indivíduo.

Conforme Yuaso (2002), o treinamento socioeducacional do cuidador deve focalizar aspectos cognitivos (conhecimentos do cuidador sobre o processo de envelhecimento e de doença) e de habilidades (execução de determinadas atividades de cuidado), promovendo conhecimentos relevantes para a manutenção da funcionalidade do idoso, ao respeito da autonomia e a oferta de ajuda física, cognitiva, legal, afetiva e espiritual.

Pesquisadores argumentam que o encargo de cuidar de idosos demenciados geram alterações das condições físicas e psicológicas desses cuidadores e que eles são doentes em potencial e que as suas capacidades funcionais estão em constante risco ao dispensar cuidados aos seus idosos (Garrido & Menezes, 2004, Paula et al.,2008).

A Doença de Alzheimer (DA), pelo aumento da expectativa de vida é considerada um problema de saúde pública, gerando grande ônus para pacientes, familiares e cuidadores. Este estudo visa avaliar o impacto causado em cuidadores formais de idosos no atendimento a portadores de Alzheimer e principais dificuldades encontradas na assistência.

CONCLUSÃO

Baseando-se nestes dados, faz-se necessário políticas ostensivas de detecção precoce da doença de Alzheimer. É preciso proporcionar qualidade de vida ao idoso não bastando apenas aumentar a expectativa de vida, mas garantir que indivíduos desta faixa etária possam usufruir a longevidade com qualidade tendo danos menores provocado pelo Mal de Alzheimer.

O impacto causado pela Doença de Alzheimer (DA) requer da família uma alteração em seu cotidiano, gerando grande impacto tanto para o paciente quanto aos que o assistem. Essas modificações, muitas vezes, são encaradas como enfrentamentos importantes para os familiares e frequentemente, pela ausência do conhecimento da doença e suas fases, estas relações familiares tornam-se muito dificultosas. É neste momento que a família direciona um membro da família, ou um amigo próximo, que mesmo sem remuneração, auxilia o idoso demenciado para o auxílio de atividades dificultadas pela progressão da doença. Estes cuidadores são denominados cuidadores informais. Muitas famílias optam por contratar um cuidador formal.

REFERÊNCIAS

1. Yuaso DR, Sguizzatto GT. Fisioterapia em pacientes idosoos In: Papaléo MN. Gerontologia: a velhice e o envelhecimentoem visão globalizada. São Paulo: Atheneu; 1996. p.344.

2. Pendlebury WW, Solomon PR. Alzheimer’s disease. Clin Symp1996;48(3):2-32.

3. Carroll ML, Brue IJ. Enfermagem para idosos: guia prático.São Paulo: Andrei; 1991.

4. Marques S. Cuidadores familiares de idosos: relatos de histórias.[dissertação]. Ribeirão Preto: Escola de Enfermagem/USP; 1999.

5. Savonitti BHRA. Cuidando do idoso comdemência. In: Duarte YAO, Diogo MJD.Atendimento domiciliar: um enfoque Gerontológico. São Paulo: Atheneu; 2000.p.421-438.

6. Vilela LP, Caramelli P. A doença de Alzheimer na visão de familiares de pacientes.Rev Assoc Med Bras. 2006;52(3):148-52.

Autor: Márcio José Silva
Mestrando em Gerontologia PUC SP
Endereço eletrônico: [email protected]

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21 thoughts on “O Cuidador Formal de Idosos com Alzheimer: O Necessitante Oculto de Cuidados

    • Olá Prof. Dr. Marcelo, encaminhamos a sua mensagem para o Prof. Márcio, autor do artigo.

      Agradecemos a sua participação, abraço!

      Equipe Angels4U

  1. Olá Marcelo, o artigo já foi publicado em algumas revistas nacionais com fator de impacto B1 e B2. Obrigado. Att
    Márcio

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